Copiar a Toyota não funciona porque as empresas copiam a ferramenta e não o pré-requisito. A planta Toyota de Georgetown acionava o andon cord 2.000 vezes por semana enquanto a planta da Ford em Dearborn, com o hardware idêntico instalado, registrava 2 acionamentos por semana, segundo a MIT Sloan Management Review. A diferença de mil vezes não está na corda, está no fato de que 257 líderes de grupo e de equipe do NUMMI foram enviados fisicamente à planta Takaoka, no Japão, para viver a resposta ao sinal antes de qualquer trabalhador puxar a corda em Fremont.

O que aconteceu na planta de Fremont entre 1982 e 1986?

A General Motors fechou a fábrica de Fremont, na Califórnia, em 1982, classificando-a como a pior planta de toda a sua rede. Absenteísmo acima de 20%, qualidade no fundo do ranking, relação sindical em guerra aberta. Em 1984, a mesma fábrica reabriu como NUMMI, uma joint venture entre GM e Toyota, no mesmo endereço, com os mesmos trabalhadores recontratados e os mesmos líderes sindicais.

Antes e depois: 20% de faltas para 2% de faltas
20% de faltas para 2% de faltas · fonte: MIT Sloan Management Review

Os números que a MIT Sloan Management Review registra sobre esse período são o motivo pelo qual o caso continua sendo estudado quatro décadas depois.

Indicador Fremont sob GM (até 1982) NUMMI (1984-1986)
Absenteísmo acima de 20% 2% no primeiro ano
Qualidade pior planta da rede GM melhor da rede GM em 12 meses
Produtividade abaixo da média GM equivalente às plantas Toyota no Japão e 50% acima das demais plantas GM em 1986
Força de trabalho mesma mesma, com no mínimo 85% de recontratação exigida pelo sindicato UAW

Fonte: MIT Sloan Management Review, análise do caso NUMMI. O link da matéria de origem está no fim deste artigo.

O detalhe que muda a leitura do caso: nada relevante mudou nas pessoas. Mesmo chão de fábrica, mesmos operários demitidos em 1982, mesmos representantes do UAW que a GM apontava como causa do problema. O que mudou foi o sistema de informação dentro da fábrica. E o sistema de informação mudou porque alguém pagou por um pré-requisito caro, invisível e que quase ninguém copia.

O que é o andon cord e por que o número de acionamentos importa?

O andon cord é um cabo que corre ao longo da linha de montagem e que qualquer operário pode puxar para sinalizar um problema, interrompendo o fluxo da linha até que alguém responda. É uma ferramenta simples, barata e de instalação trivial. Foi exatamente por isso que a indústria americana inteira comprou a ideia nos anos 1980 e 1990.

A comparação que a MIT Sloan Management Review registra desmonta a ilusão de que a ferramenta explica alguma coisa:

Planta Hardware do andon cord Acionamentos por semana
Toyota Georgetown (Kentucky) instalado 2.000
Ford Dearborn (Michigan) instalado, idêntico 2

Mil vezes de diferença com o mesmo equipamento. Se você olha só para o gráfico de qualidade, conclui que a Toyota tem um método melhor. Se você olha para essa tabela, a pergunta muda de lugar: o que precisava ser verdade dentro daquela fábrica para que um trabalhador puxasse a corda pela primeira vez?

Volume alto de acionamentos não é sinal de caos. É sinal de que a informação sobre defeitos está circulando em tempo real, em vez de ficar presa na cabeça de quem viu o problema. Cada acionamento gera um ciclo de resolução na origem: o defeito é atacado onde nasceu, não empurrado adiante para virar retrabalho, garantia ou recall. Quanto mais a corda soa, mais rápido o sistema aprende. Dois acionamentos por semana em Dearborn não significavam que a Ford tinha menos problemas. Significavam que os problemas existiam e ninguém avisava.

Por que os trabalhadores do NUMMI puxavam a corda e os da Ford não?

Porque o cálculo de custo de sinalizar era diferente nas duas fábricas, e os trabalhadores dos dois lados eram igualmente racionais.

O operário da Fremont sob a GM sabia onde estavam os defeitos. Ele passava oito horas por dia na mesma estação. Sabia qual peça vinha torta, qual parafuso não encaixava, qual etapa anterior estava mandando problema para frente. E escondia, porque sinalizar tinha custo pessoal, na forma de advertência, atrito com a chefia e exposição pública, enquanto não sinalizar era grátis. Nesse arranjo, o silêncio é a escolha inteligente do indivíduo e o desastre da empresa.

A Toyota não trocou as pessoas. Trocou o preço do sinal. Quando o trabalhador puxava a corda no NUMMI, o líder de equipe aparecia em segundos com ajuda, resolvia o problema junto e a linha voltava. A resposta era previsível, rápida e sem punição. A partir do momento em que a primeira pessoa puxou a corda e recebeu ajuda em vez de bronca, e outros viram isso, o cálculo virou: sinalizar passou a ser vantajoso e esconder passou a ser burrice.

Vale registrar a mecânica disso porque ela é o coração transferível do caso. O que governa se as pessoas avisam ou escondem problema não é a existência do canal, é o histórico de respostas ao canal. Nenhum time avalia o discurso da liderança sobre abertura. Todo time avalia o que aconteceu com a última pessoa que abriu a boca.

O que os 257 líderes fizeram em Takaoka antes da abertura do NUMMI?

Antes da fábrica de Fremont reabrir, 257 líderes de grupo e de equipe do NUMMI foram enviados fisicamente à planta Toyota de Takaoka, no Japão, em 9 rodadas de imersão na linha real de produção. Não foi curso em sala. Não foi manual de procedimento. Não foi vídeo institucional.

Na linha de Takaoka, cada um desses líderes puxou a corda, viu a ajuda chegar, sentiu quanto tempo aquilo levava e praticou a resposta que deveria dar quando alguém sob o comando dele puxasse a corda em Fremont. O que estava sendo instalado ali não era conhecimento sobre o Sistema Toyota de Produção. Era um reflexo com tempo de reação calibrado em segundos.

Essa é a razão pela qual a resposta da liderança do NUMMI era previsível desde o primeiro dia de operação. Previsibilidade não se declara em comunicado interno. Ela se constrói quando quem responde já respondeu antes, em ambiente real, o suficiente para não precisar pensar. Um líder que precisa decidir, no momento do sinal, se aquilo é um problema legítimo ou uma desculpa para parar a linha vai demorar. E demora, no chão de fábrica ou em qualquer time, é lida como desinteresse.

Na Frons, esse é o ponto do caso que eu uso quando um diretor de RH me procura querendo desenhar um programa de liderança. A pergunta que eu faço é sempre a mesma: quantas horas os seus gestores vão passar praticando a resposta, e não ouvindo sobre ela? Na maioria dos desenhos que chegam até mim, a resposta é zero. O programa inteiro é conteúdo. O NUMMI mostra que conteúdo sem reflexo praticado produz a Ford de Dearborn, com o hardware instalado e dois acionamentos por semana.

Por que a Toyota aceitou trabalhar com os operários que a GM tinha demitido?

Porque foi condição contratual do sindicato, e porque a Toyota tinha uma tese explícita sobre onde estava o problema.

O UAW exigiu a recontratação de pelo menos 85% da força de trabalho original como condição para a joint venture existir. A Toyota aceitou operar a fábrica com exatamente as pessoas que a GM havia rotulado como as piores da indústria americana. Isso não foi generosidade. Foi uma aposta de que o problema em Fremont era o sistema GM e não a mão de obra.

Essa aposta financiou politicamente o investimento em Takaoka. Se a Toyota tivesse recontratado gente nova, o argumento interno de gastar semanas de imersão no Japão com 257 líderes teria morrido na primeira planilha de custo. Alguém diria, com aparência de razão, que era mais barato contratar pessoas já alinhadas. A condição sindical e o programa de Takaoka são a mesma decisão vista de dois ângulos: se você aposta que o sistema é o problema, o único lugar onde faz sentido investir é na camada que opera o sistema, que é a liderança direta.

Trocando para a realidade de quem lê isto hoje: toda vez que uma empresa conclui que o problema é o perfil das pessoas, ela deixa de investir no desenho do processo. E toda vez que ela conclui que o problema é o desenho, o investimento vai para a liderança de linha. As duas conclusões custam dinheiro em lugares diferentes, e apenas uma delas foi testada em Fremont com resultado público.

Qual é o pré-requisito invisível que ninguém copia?

O pré-requisito invisível do NUMMI são os 257 líderes que viveram a resposta ao sinal antes de qualquer trabalhador de Fremont tocar a corda. É nesse ponto que todas as cópias quebram, e quebram sempre da mesma forma.

A Ford comprou os cords, instalou o hardware e treinou os trabalhadores em sala sobre o que fazer quando houvesse um problema na linha. Dois acionamentos por semana. A corda sem o líder preparado para responder com ajuda em segundos é decoração industrial.

A GM tentou replicar o andon cord na planta de Van Nuys sem o programa de formação de liderança, e o sistema não gerou valor. Os poucos funcionários que haviam internalizado as práticas foram dispersados de volta a um ambiente que punia exatamente esses comportamentos. A assimetria de informação voltou ao estado natural: sinalizar custava, esconder era grátis.

O que torna essa peça intransferível por cópia é que ela exige que o gestor seja o primeiro a demonstrar a resposta certa, em público, antes de qualquer lançamento de ferramenta. Não dá para terceirizar para consultoria, não dá para delegar ao RH e não dá para resolver com comunicado interno. É o gestor sentado ao lado de quem sinalizou o problema, resolvendo junto, na frente do time. Uma vez que isso acontece e é visto, o preço do sinal muda para todo mundo que assistiu.

Eu vejo a versão moderna disso toda semana. A empresa lança um canal de reporte de problemas, uma pesquisa de clima ou um ritual de retrospectiva, e o canal morre em três meses. O diagnóstico interno costuma ser que o time não tem maturidade ou não tem cultura de feedback. O diagnóstico correto é que ninguém no time viu, com os próprios olhos, o que acontece com quem usa o canal. Na ausência de evidência, todo mundo assume o pior, porque assumir o pior é o comportamento que protege o emprego.

O que deu errado no NUMMI e por que a GM não replicou o sistema?

A resistência dos gerentes da GM ao andon cord foi imediata e está documentada. A objeção era direta: “Você pretende dar a esses trabalhadores o direito de parar a linha?” O custo estimado de uma parada era de US$ 15.000 por minuto. Do ponto de vista de quem responde por produção mensal, a objeção era compreensível e estava completamente errada.

Nos primeiros meses de operação, a queda de produtividade foi real. Os gestores que adotaram o sistema sofreram piora nas métricas antes de superá-las, enquanto os que resistiram mantiveram números estáveis no curto prazo. Esse intervalo de piora antes da melhora é o que se chama de J-curve, e foi o motivo pelo qual a GM central nunca replicou o sistema mesmo depois de ver o NUMMI funcionando com números públicos. A administração não tolerou o período de transição.

Repare no que esse trecho do caso ensina sobre incentivo de gestor. Quem adotou o sistema apareceu pior no relatório do trimestre. Quem ignorou apareceu estável. Se a régua de avaliação da liderança olha apenas o número do mês corrente, ela pune matematicamente quem está construindo o sistema que vai ganhar no ano seguinte. Nenhuma quantidade de discurso sobre transformação corrige um sistema de avaliação que paga melhor para quem não muda nada.

Na prática, qualquer mecanismo de sinalização honesto piora os números antes de melhorar, porque ele traz à tona problema que já existia e estava escondido. O volume de reclamações sobe, o número de incidentes registrados sobe, o tempo de ciclo sobe. Quem não avisou o próprio chefe de que isso ia acontecer vai desligar o mecanismo na segunda reunião de resultado.

Como aplicar o mecanismo de sinalização no seu time, seja qual for a área?

O ponto transferível deste caso não é instalar um andon cord. É este: antes de lançar qualquer mecanismo de sinalização de problema no seu time, seja formulário de erro, canal de Slack, reunião de retrospectiva ou pesquisa de clima, você precisa ter respondido a pelo menos um sinal real com ajuda visível, e essa resposta precisa ser conhecida por todo o time.

O método abaixo constrói esse pré-requisito. Serve para gerente de RH, gerente de fábrica e dono de loja, cada um no processo dele, e pode ser começado hoje à tarde.

1. Lista os canais de sinalização que já existem no seu processo. Abre um documento em branco e escreve cada canal onde alguém do time pode, hoje, avisar que existe um problema: WhatsApp, e-mail, reunião semanal, formulário, conversa no corredor, grupo do turno. Um canal por linha. Critério de parada: você listou todos e consegue dizer, para cada um, qual é a resposta esperada de quem recebe o sinal.

2. Classifica cada canal como “ajuda” ou “registro”. Ao lado de cada linha, escreve o que aconteceu na última vez que alguém usou aquele canal: ajuda imediata e visível, ou apenas registro do problema. Seja honesto. Se o canal gerou um chamado que ficou aberto por três dias, é registro. Critério de parada: todas as linhas classificadas e o número de canais que são “ajuda” de verdade contado.

3. Escolhe o processo mais barulhento do seu time e mapeia as passagens de bastão. Pega o processo onde os problemas aparecem com mais frequência e lista cada momento em que uma informação ou um entregável passa de uma pessoa para outra, ou de uma etapa para a próxima. Uma passagem por linha. (No NUMMI, cada estação da linha de montagem era uma passagem.) Critério de parada: pelo menos 5 passagens listadas, com nome de quem entrega e de quem recebe em cada uma.

4. Reconstrói por escrito o último sinal que chegou até você. Pega o último problema que alguém do time te trouxe, por qualquer canal, e escreve três coisas: quem sinalizou, o que você fez nas primeiras 2 horas e o que essa pessoa viu acontecer como resultado. Se você não consegue lembrar de nenhum episódio nos últimos 30 dias, esse é o achado mais importante da análise inteira. Critério de parada: um relato escrito de no máximo 5 linhas sobre esse episódio específico.

5. Planeja a primeira resposta pública. Olha o mapa do passo 3 e escolhe a passagem de bastão onde é mais provável que apareça um problema nas próximas duas semanas. Decide agora, por escrito, o que você vai fazer nos primeiros 30 minutos depois de receber esse sinal, incluindo se você vai sentar ao lado da pessoa, resolver junto e deixar o resto do time ver. Critério de parada: uma frase escrita começando com “quando o próximo sinal chegar, eu vou”.

6. Define e anota a métrica dos próximos 14 dias. Escolhe um número que muda se o mecanismo começar a funcionar: quantidade de problemas que chegam até você por semana, tempo médio entre o problema aparecer e alguém te avisar, ou quantidade de problemas resolvidos antes de virar crise. Escreve o valor de hoje e a data ao lado. Critério de parada: número atual anotado com data.

7. Avisa o seu chefe de que os números vão piorar antes de melhorar. Manda uma mensagem hoje explicando que o volume de problemas registrados vai subir nas próximas semanas porque você está trazendo à tona o que já existia escondido, e combina com ele qual é o horizonte de avaliação. Critério de parada: mensagem enviada e resposta recebida. (Foi a ausência desse combinado que fez a GM abandonar o sistema que ela mesma viu funcionar.)

O artefato: ao fim dos 7 passos você tem um documento com os canais de sinalização do seu processo classificados entre ajuda e registro, o mapa das passagens de bastão do processo mais barulhento, a reconstrução de como você respondeu ao último sinal, o plano escrito da próxima resposta pública e a métrica de partida com data. Esse documento não existia antes.

A verificação: em 14 dias, compare o número anotado no passo 6 com o número atual. Se o volume de sinais que chegam até você aumentou, o sistema começou a funcionar, porque as pessoas passaram a apostar que vale a pena avisar. Se não mudou, a primeira resposta pública ainda não aconteceu de forma visível o suficiente.

Por que esse caso importa para quem lidera equipes hoje, fora da indústria?

Porque a estrutura do problema é idêntica em qualquer processo que passe por mais de uma pessoa. Em uma linha de montagem, a informação escondida vira defeito no carro. Em um time comercial, vira proposta perdida sem explicação. Em um financeiro, vira fechamento atrasado que ninguém antecipou. Em uma loja, vira ruptura de estoque que o vendedor percebeu na terça e o dono descobriu no relatório da sexta.

Em todos esses casos, alguém sabia antes. A pergunta que decide o resultado não é se a empresa tem canal de comunicação, é quanto custa para o funcionário usar esse canal. Quando avisar custa e esconder é grátis, o time inteiro fica em silêncio e a liderança conclui que não há problemas.

Na Frons, quando eu levo esse caso para turmas de MBA e para conversas com diretores de RH, a reação mais comum é a de que a empresa já tem os canais. Tem mesmo. O que quase nunca existe é o histórico público de respostas que torna o canal confiável. A diferença entre 2.000 acionamentos por semana e 2 acionamentos por semana não é tecnologia, orçamento nem cultura nacional. É a memória coletiva do que aconteceu com a última pessoa que puxou a corda.

O mercado não te deve nada, e o seu time também não te deve o benefício da dúvida. Ele vai olhar o que você fez da última vez e agir de acordo. Disciplina aqui significa responder ao sinal com ajuda visível de forma constante, e não uma vez em campanha de engajamento.

Fonte primária do caso: MIT Sloan Management Review, análise do NUMMI. Os dados de absenteísmo, qualidade, produtividade, acionamentos de andon cord e o programa de 257 líderes em Takaoka são os registrados pela publicação.

Quinta-feira eu destrincho esse caso ao vivo, com foco em como aplicar o mecanismo de sinalização em times de 5 a 30 pessoas: https://frons.com.br/aula-aberta

Uma pergunta antes de você fechar esta página: no seu time, sinalizar um problema hoje custa ou é grátis?

Perguntas frequentes

O que é o caso NUMMI e por que ele é estudado até hoje?

NUMMI foi a joint venture entre General Motors e Toyota que reabriu, em 1984, a planta de Fremont, na Califórnia, fechada pela GM em 1982 como a pior fábrica de sua rede. Com os mesmos trabalhadores, o mesmo sindicato e o mesmo endereço, a planta se tornou a melhor da rede GM em qualidade dentro de 12 meses e, em 1986, tinha produtividade equivalente às plantas Toyota no Japão, segundo a MIT Sloan Management Review. O caso é estudado porque prova que o resultado veio da mudança do sistema de gestão, e não da troca de pessoas.

O que é o andon cord da Toyota?

O andon cord é um cabo instalado ao longo da linha de montagem que qualquer operário pode puxar para sinalizar um problema, interrompendo o fluxo até que um líder de equipe responda. Sua função não é parar a produção, é fazer a informação sobre defeitos circular em tempo real, permitindo que o problema seja resolvido na origem em vez de ser empurrado adiante na linha.

Por que a Ford instalou o andon cord e não obteve os mesmos resultados da Toyota?

Porque instalou o hardware sem preparar a liderança para responder ao sinal com ajuda imediata. A planta Toyota de Georgetown registrava 2.000 acionamentos do andon cord por semana enquanto a planta da Ford em Dearborn, com equipamento idêntico, registrava 2 por semana, segundo a MIT Sloan Management Review. Sem líder treinado para chegar em segundos com ajuda em vez de punição, a corda vira decoração e os trabalhadores continuam escondendo os defeitos.

Quantos líderes do NUMMI foram treinados no Japão antes da abertura da fábrica?

Foram 257 líderes de grupo e de equipe enviados fisicamente à planta Toyota de Takaoka, no Japão, em 9 rodadas de imersão na linha real de produção, antes de qualquer trabalhador de Fremont puxar o andon cord. Eles não assistiram a aulas sobre o sistema: puxaram a corda, viram a ajuda chegar e praticaram a resposta que deveriam dar. Esse investimento em reflexo de liderança é o pré-requisito que as cópias do sistema Toyota costumam ignorar.

Por que a GM não replicou o sistema do NUMMI nas outras fábricas?

Porque não tolerou o período de piora nos indicadores que antecede a melhora, conhecido como J-curve. Nos primeiros meses, os gestores que adotaram o andon cord sofreram queda de produtividade antes de superá-la, enquanto os que resistiram mantiveram números estáveis no curto prazo. Somado à objeção de que uma parada de linha custava cerca de US$ 15.000 por minuto, o resultado foi que a GM central nunca replicou um sistema que ela mesma viu funcionar.

Como aplicar a lógica do andon cord em um time que não é de indústria?

Antes de lançar qualquer canal de sinalização de problemas, como formulário de erro, canal de Slack ou reunião de retrospectiva, responda a pelo menos um sinal real com ajuda visível e faça o time inteiro saber disso. Na prática: liste os canais de sinalização que já existem, classifique cada um como ajuda ou registro conforme o que aconteceu da última vez que foi usado, escreva o que você vai fazer nos primeiros 30 minutos após o próximo sinal e anote hoje quantos problemas chegam até você por semana para comparar em 14 dias.

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Autor de 2 livros publicados: "Lean Six Sigma: O guia básico da metodologia" e "101 Dúvidas sobre Lean Six Sigma". É formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Estadual Paulista - UNESP. Estudou Business and Process Management pela University of Arkansas - EUA, direcionando sua especialização em Lean Seis Sigma e Gestão Empresarial. Professor de empresas como BRF, Plasútil, Usiminas, Petrocoque, Avon, Mondelli, UNESP, JohnDeere e de mais de 60.000 alunos na comunidade online. Com mais de 30 mil certificados emitidos, é CEO da Frons, uma plataforma focada em melhoria contínua e gestão de processos.

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